Lisboa em Dois Dias Cheios

Nossa estadia em Lisboa foi de três noites, mas, só tivemos dois dias completos para a cidade. Por isso, nos atemos a ficar na capital, sem fazer o bate-volta à Sintra, que está agendado para a próxima.

Se quiser apenas saber o que fazer em Lisboa, em dois dias, pule a História e desce direto para “VIAJA DAQUI ou O que fazer em Lisboa”. Lisboa tem uma longa História e eu já fiz o resumo do resumo do resumo, mas ainda assim tem muito texto.

A capital de Portugal, Lisboa, é a cidade mais populosa do país!

Seu nome remonta aos Fenícios, que a chamavam de Olisipo, que deriva, na língua Fenícia à “Allis Ubbo” ou “Porto Seguro”. Posteriormente, os Visigodos chamaram-na “Ulishbona” e os Mouros, que tomaram a cidade no ano 714, nomearam-na, al-Lixbuna. Dá-lhe Wikipédia!!! 🙂

Em Lisboa, a Torre de Belém e Mosteiro dos Jerônimos são Patrimônio Mundial da Humanidade da UNESCO.

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Lisboa 1978
Lisboa em dois momentos! 1978 e 2015. Reparem como o mapa parece que encolheu! 🙂

Na capital portuguesa, encontram-se objetos do Período Neolítico (Pedra Nova – 10.000 a.c. à 3.000 a.c.). Habitada por vários povos neste período, é possível encontrar nos arredores de Lisboa, momumentos megalíticos, dólmens e menires. Como não estive nestes locais, prefiro não colocar fotos, visto que teria que copiar e colar de algum lugar da internet.

Os Celtas invadiram a região no primeiro milênio a.c. e formaram casamentos com as tribos locais, expandindo a língua Celta. Na praça de D. Luís, em Lisboa, está localizado um fundeadoiro com mais de 2000 anos. Produtos importantes da região comercializados foram o sal, os peixes salgados e os cavalos puros-sangue-lusitanos, que eram bastante renomados na antiguidade.

Após a derrota de Cartago, na Guerras Púnicas, os Romanos começaram a pacificação e tomaram Olisipo, em 139 a.c., reforçando as muralhas da cidade, para se defenderem de tribos hostis.

Depois da Queda do Império Romano foi dominada por vários povos, e, após os Visigodos passarem três séculos saqueando, pilhando e perdendo dinâmica comercial, Ulishbuna seria pouco mais que uma vila no início do século VII. É nesta altura que, aproveitando uma guerra civil do Reiono Visigótico, que os árabes à invadiram, em 711.

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Durante o Reinado Mouro, foi a cidade do Porto, a mais importante para os portugueses.

Em 1147, o portugueses a retomaram, graças ao primeiro Rei de Portugal, Dom Afonso Henrique, grande guerreiro muito homenageado pelo país. A cidade tornou-se capital do reino em 1255, devido à sua localização estratégica. A seguir à reconquista foi instituída a Diocese de Lisboa.

Nos últimos séculos da Idade Média a cidade expandiu-se e tornou-se um importante porto com comércio estabelecido com o norte da Europa e com as cidades costeiras do Mar Mediterrâneo.

Durante a Era da Navegações, Portugal fica na vanguarda dos países contemporâneos ao ser o primeiro a transformar a pesquisa tecnológica e científica em política de Estado.

Várias expedições se empreenderam com tripulações portuguesas que integravam alguns expatriados de outros reinos nas quais foram descobertos os arquipélagos dos Açores, Madeira e Canárias. Alguns afirmam que terão mesmo chegado ao Brasil.

Após uma época de guerras e conflitos internos, Lisboa, acaba perdendo o monopólio dos produtos do Brasil, enquanto as nações do Norte da Europa iniciavam a industrialização e se desenvolviam rapidamente.

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Para agravar os problemas, em 1755, um terrível terremoto deixou a cidade quase toda destruída. Além do tremor, uma onda invadiu o rio Tejo, destruindo grande parte da cidade, sendo reconstruída, posteriormente, segundo os planos do Marques de Pombal, que com pulso firme dizia que era necessário “enterrar os mortos, cuidar dos vivos e reconstruir a cidade”.

Nos primeiros anos do século XIX, Portugal foi invadido pelas tropas de Napoleão Bonaparte, obrigando o Rei Dom João VI, em 1808, a retirar-se temporariamente para o Brasil. A cidade ressentiu-se e muitos bens foram saqueados pelos invasores.

Mais à frente, o centro cultural e comercial da cidade passou para o Chiado, durante o século XIX, por volta de 1880.

No século XX, surgem com força os locais de Fado, as Touradas, Teatros de revista, locais com oratórias, e outros pontos de interesse do lisboeta.

Em 1908 a família real sofre um atendado, no Terreiro do Paço, em que morrem El-Rei Dom Carlos de Portugal e o herdeiro do trono, o Príncipe Real Dom Luis Filipe de Bragança, numa ação provavelmente executada pelos anarquistas, que neste período atacam figuras públicas em toda a Europa. Vide a Imperatriz Sissi da Áustria.

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Depois disso, mais uma época de conflitos, golpes e ditaduras, até que o Regime do Ditador Salazar, seria derrubado pela Revolução dos Cravos num golpe de estado realizado em Lisboa a 25 de Abril de 1974. Meu Pai diz que não foi “exatamente um golpe”, pois o povo e até as forças armadas estavam de saco cheio daquele regime e queriam mudar, e mais, o nome “Revolução dos Cravos”, surgiu por que os “revolucionários”, entregavam flores de cravo aos soldados, colocavam os cravos nas espingardas dos soldados! Olha no Google Imagens.

Já numa Democracia, em 1985, dá-se a Assinatura do Tratado de Adesão à Comunidade Econômica Europeia, no Mosteiro dos Jerônimos, em Lisboa, por parte do Presidente da República, Mário Soares.

Hoje, Lisboa continua a desenvolver-se ao ritmo das mais altas cidades/capitais europeias, melhorando a sua infra-estrutura e construindo novas, melhorando o sistema de segurança, saúde e daí por diante.

Esse foi o resumo, do resumo, do resumo da História de Lisboa! Vamos para as Atrações? Continua lendo, aí!

VIAJA DAQUI ou O que fazer em Lisboa em dois dias:

Aproveite seu primeiro dia para conhecer o Centro Histórico de Lisboa. Poderíamos ter andado mais, no primeiro dia, porém o sol estava quente demais e depois de parar para almoço com cerveja, nos sentimos ainda mais cansados.

DIA 1:

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Praça da Figueira
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Castelo de São Jorge

Na Praça da Figueira, que fica bem ao lado do Rossio, pegue o ônibus 737, que te deixa lá em cima, no Castelo de São Jorge!

Pensamos em pegar o famoso Bonde 28, para subir, mas, estava muito cheio e fazia muito calor, então pegamos o ônibus e rapidamente chegamos na porta do Castelo.

Se quiser, entre no Castelo e seja feliz. Nós apenas o usamos como ponto de início para nosso passeio. Na entrada haviam vendedores de frutas, compramos umas cerejas e começamos a descida a pé, pelo famoso, Bairro de Alfama.

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Mirante de Santa Luzia

Descendo pela Alfama faça uma primeira parada no Mirante de Santa Luzia, para tirar belas fotos.

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Sé de Lisboa

Continue a descer, pelo agradável Bairro e pare mais duas vezes, a primeira na Sé de Lisboa, a Catedral da capital portuguesa.

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Igreja de Santo Antônio

Outra na Igreja de Santo Antônio. Santo Antônio tem toda uma História ligada à cidade, pois era lisboeta. Essa Igreja foi uma grata surpresa! A Igreja de Santo Antônio fica logo abaixo da Sé, mas virada para suas costas, enquanto desce, então presta atenção para não passar direto.

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Termine a descida de volta na Praça da Figueira. Siga em direção ao Rossio, onde passamos pela famosa Confeitaria Nacional. Entre muitas guloseimas, eles vendem seu próprio café, que serve nas máquinas da Nespresso, compramos, mas posso dizer que é bem fraquinho, fica bem aguado.

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No Rossio com o Nelson

Chegando no Rossio, pare para um descanso, um café ou um almoço. Nós paramos para encontrar um amigo que está morando por lá, o Nelson! Sempre com um sorriso largo no rosto, já pediu uns chopp e bolinhos de bacalhau, ops, em Lisboa se diz Pastéis de Bacalhau. Tudo de Bom! Se já estiver com fome almoce por lá.

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Rua Augusta

Descanso feito? Mete o pé para a Rua Augusta, movimentada e cheia de artistas de rua.

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Elevador Santa Justa. A imensa fila nos desanimou.

Caminhando por ela você vai passar pela rua que leva ao Elevador Santa Justa, que sobe ao Mirante, ops, de novo, é Miradorouro Santa Justa, de onde se vê o Rossio, o Chiado e o Castelo. A fila era imensa, estávamos de barriga cheia e o calor castigava, então resolvemos seguir em frente. Ainda assim deu pra ver bem a famosa armação metálica de traços góticos do Elevador. Bem bonito!

Durante todo o trajeto pela rua Augusta, vê-se o Arco Triunfal da Augusta, o próximo destino. Símbolo do renascimento de Lisboa, após o terremoto, de 1755. Se quiser, pode subir. Um belo monumento!

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Praça do Comércio e Arco da Augusta

Depois de passar pelo Arco, entrará na imensa Praça do Comércio ou Terreiro do Paço. Em frente ao Tejo, a praça é uma das maiores da Europa!

Atravesse a Praça até o Rio Tejo, no caminho pare para umas fotos junto a Estátua de D. José em seu cavalo. No local onde está a estátua de D. José, olhando para o rio Tejo, ficava uma entrada nobre de Lisboa, era também, onde ficava o Palácio Real e uma importante biblioteca, destruídos pelo terremoto de 1755.

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Que que é isso, rapaz? 🙂

Alcance o Rio Tejo para finalizar este passeio. Logo ali passa o Metrô, para voltar ao seu Hotel ou seguir para outro ponto de Lisboa.

Dá pra fazer mais coisa no mesmo dia, mas, nós ficamos muito tempo parados almoçando e batendo papo, além disso o calor estava castigando, por isso pegamos o Metrô ali mesmo e fomos para o apartamento que alugamos, tomar um banho e tirar um cochilo, antes de sairmos à noite!

DIA 2:

Fomos de carro para a região, onde estão a Torre de Belém, o Padrão dos Descobrimentos, o Mosteiro dos Jerônimos e os Pastéis de Belém.

Deixamos o carro na rua que leva à Torre de Belém. Nela estão muitas embaixadas, voltando de táxi, para o local onde estava o carro, após o lanche/almoço, na Confeitaria de Belém.

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Bairro de Belém. Muitas Embaixadas, nesta rua.

O Bairro de Belém é o bairro dos descobrimentos por excelência, ali está a maior parte da História da Navegação Portuguesa! Dali, saíram as frotas de Vasco da Gama, em 1497, e de Pedro Álvares Cabral, em 1500, buscando novos caminhos para as Índias.

Como tudo ali é relativamente perto, conheça todos esses pontos de uma vez. Reserve um bom tempo e coloque como atração única do dia, por que mesmo que continue com disposição após tudo que indico, ainda poderá visitar o Museu Coleção Berardo, o Museu Nacional de Arqueologia e o Museu dos Coches, todos estão no post “O que não fizemos em Lisboa, mas queríamos ter feito”.

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Torre de Belém

Seja do jeito que chegar, comece pela Torre de Belém. Trata-se de um Patrimônio Mundial da Humanidade da UNESCO.

A Torre de Belém foi construída entre 1514 e 1520, para servir de posto de vigia para a proteção da área. Entendeu? Depois do terremoto de 1755, ficou com parte de sua construção avançando sobre as águas e possui estilo medieval. Se a fila não estiver gigantesca e resolver entrar, repare no baluarte, na imagem de Nossa Senhora do Bonsucesso, nas salas dos Reis e dos Governadores e nas Capelas. Quando fomos a fila era gigantesca… Do lado de fora, procure pela imagem de um rinoceronte ao olhar para as guaritas da Torre. O animal que foi presenteado ao Rei Dom Manoel I, está imortalizado na construção. Procuramos, mas só achei mesmo pelo Google…

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Depois de encher sua câmera de cliques na Torre, siga para o Padrão dos Descobrimentos, num passeio agradável e, de preferência, sem pressa! Tome um sorvete no caminho!

O Padrão dos Descobrimentos, também é conhecido como Monumento aos Descobrimentos ou Monumento aos Navegantes, e foi construído em 1960. Em forma de Caravela, traz a imagem de vários personagens importantes da navegação portuguesa, tanto dos que foram como os que não foram ao mar. Legal, né? Nas laterais da obra estão Pedro Álvares Cabral, entre outros ícones. Na frente está a estátua do infante D. Henrique, um dos maiores incentivadores para as inúmeras navegações portuguesas! O infante D. Henrique (1394-1560) é muito homenageado em Portugal, por suas conquistas além mar. Só não confunda com o Dom Afonso Henriques (1109-1185), que foi quem conquistou a independência do país, ao expulsar os Mouros, tornando-se o primeiro Rei de Portugal, Afonso I.

Vista do Alto do Padrão dos Descobrimentos. No alto à direita o Museu Coleção Berardo.

O Infante Dom Henrique é o Maior Homenageado das Navegações Portuguesas, em Portugal. Ele encabeça o Monumento do Padrão dos Descobrimentos.

 

O mirante do Monumento está a 56 metros de altura e permite ver o mar e a cidade. As filas eram bem menores do que na Torre e tem um elevador que te leva lá pra cima! A passagem pelo Padrão dos Descobrimentos foi o ponto alto desse dia, pra mim!

Entre os motivos de ter sido o ponto alto pra mim, está o fato de que na praça, que fica junto ao Monumento, se encontra um grande mapa no chão, com todas as façanhas marítimas portuguesas, e quando criança estive por lá, ficando com essa imagem registrada para sempre em minha memória!

Depois dessa visita, inesquecível pra mim, dirija-se para o Mosteiro dos Jerônimos. No caminho passará pelo Jardim da Praça Império, numa caminhada agradável. Ali funcionava uma praia, uma praia até 1940, quando a Praça foi criada. Tem um grande chafariz e dependendo do vento, tome cuidado com sua câmera.

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O Mosteiro dos Jerônimos, juntamente com a Torre de Belém, faz parte do Patrimônio Mundial da Humanidade da UNESCO. Começou a ser construído em 1501 e só ficou pronto quase 100 anos depois. A Igreja Santa Maria de Belém, com três naves, deixa clara a importância das navegações para os portugueses. De estilo Manuelino, derivado do gótico, mostra imagens da natureza e do poderio militar. O estilo Manuelino é visto em vitrais, nas representações dos túmulos da família Real e até nos sarcófagos de Vasco da Gama e Luis de Camões, que ali se encontram. Além deles, dois importantes personagens da literatura portuguesa descansam no Mosteiro: Fernando Pessoa e Alexandre Herculano. Repare que existem estátuas de…. elefantes… dentro da Igreja.

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Antigo Refeitório

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O Claustro do Mosteiro, onde os Monges meditavam e descansavam, também é de estilo Manuelino, em torno de um pátio ajardinado. É esse Claustro que faz parte do Patrimônio Mundial da Humanidade da UNESCO.

Em Portugal, as Catedrais são menores do que estamos acostumados a ver, em compensação, os Mosteiros são imensos, tomando o posto de “Igrejas Grandes, Enormes”. Em cada Mosteiro há um claustro, logo o do Mosteiro dos Jerônimos é mais um claustro dos muitos que estão espalhados pelo país. Chegou um momento da Viagem que só eu e meu Tio, entrávamos nos claustros, enquanto minha Tia e a Jô ficavam esperando do lado de fora. Em Batalha, elas perderam, pois foi a que eu e meu Tio mais gostamos.

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A fome já estará batendo, então, vai para a Antiga Confeitaria de Belém, que funciona desde 1837, no prédio de uma refinaria de açúcar. Ali, é feita a receita “secreta” dos famosos “pastéis de nata”. Só ali é que eles existem como Pásteis de Belém, pois, fora de Belém, não são Pastéis de Belém, ó pá! Eu gostei mais dos salgados, até por que estava com fome pra valer. Entre e passeie lá por dentro, a casa é grande e é super interessante quando passa pela área, onde vemos através de um vidro aquela produção de Pastéis de Belém em escala. Tem bastante, pode pedir uns para viagem.

Dali pegamos um táxi até o carro e voltamos ao apartamento.

Conhecemos a parte nova de Lisboa numa noite bem agradável, porém ficamos sem conhecer muitos lugares, isso mereceu até um post “O Que Não Fizemos em Lisboa”. Com toda a certeza, dois dias para Lisboa é muito pouco. Posso dizer que conhecemos Lisboa de passagem, que apenas vimos a cidade, mas em nosso caso havia um motivo, trocamos duas das noites em Lisboa por duas, em Braga, terra onde meu Avô, Pai da minha Tia e Mãe, nasceu.

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Veja outros posts que têm tudo a ver com Lisboa:

UM FADO EM LISBOA

LISBOA BY NIGHT

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3 comentários sobre “Lisboa em Dois Dias Cheios

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